
No outro dia uma conhecida escreveu no seu FB mais ou menos isto: "os homens gostam das mulheres insuportáveis e com mau feitio, porque afinal de contas não há nada de mais feminino..."
Eu li e reli esta frase que me chocou de frente! Foi, não posso dizer um momento epifânico, mas muito perto disso. Dei comigo a pensar "Suzana com z, tu és tão estúpida. Mas é claro. Pensa lá um bocado."
E fiz então esse exercício tão penoso que é ir puxar por memórias do passado recente. Este exercício trouxe-me até aqui: Eu fui a chata com mau feitio insuportável que atravessou todo o seu matrimónio de trombas. Ponto final. Mas eis que, depois da separação eu adoptei a "brilhante" estratégia de me comportar como?
"Ai agora vou fazer o papel da boazinha. Da que faz muitas piadas. Da que chama "sócio" ao futuro ex-namorado que afinal durou apenas 2 semanas. Vou ser aquela que está sempre pronta para ajudar o pseudo-namorado queque-alternativo-artista a ultrapassar a crise (mais uma) existencial. Vou ser aquela que insufla de ar quente um ego que só por si não precisa de mais ar, mas que diabo elogiar mais e mais também não há-de fazer assim tanto mal".
Tenho sido aquela que não reclama, que está sempre cool, que não se queixa da falta da presença dele. Tenho sido a "Querida" (tu és mesmo querida).
Como diz e bem, esta minha conhecida, "Suzana aqui a questão é bem mais complexa. No fundo não há fórmulas."
Tenho abdicado da minha verdadeira natureza de mal-disposta. Impõem-se aliás uma questão fundamental que eu tenho colocado muito amiúde. Consigo eu imaginar-me a falar com vózinha melosa, a enrolar lentamente a ponta do meu cabelo com o pescocito inclinado para o lado? Não pois não? Então a partir de agora vamos voltar à versão de "atira a bota à cabeça dele". Tenho dito!