Hoje li no Público, que o presidente da ConferênciA Episcopal Portuguesa afirmou, qualquer coisa do género:
"O Estado democrático não pode ser militantemente ateu"
De repente senti-me transportada para o Terreiro do Paço em pleno Século XVI. D. Jorge Ortiga apontava o dedo para o nosso Sócrates que, já com o lume a crepitar debaixo dos pézinhos, gritava:
- Porreiro, pá!
É impressão minha ou últimamente ando a lêr muitas notícias sobre o estatuto da Igreja em Portugal? Mas que raio de m**** é esta?
Este blogue não tem nada de original. Estou já a avisar! É só mesmo para deitar cá para fora, aquilo que não se deve guardar para dentro! Faz sentido? Claro que sim! Note-se que o deitar cá para fora, pode ser de tudo um pouco...
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Monday, March 31, 2008
Sunday, June 3, 2007
Nada

Fui arrastada para dentro, literalmente. Em geral só gosto de entrar, quando estão vazias de pessoas. Ouvir o ecoar dos passos. Sentir o silêncio. Os cheiros.
Não recebi educação religiosa. Não adquiri hábitos de celebração. Não me sinto confortável com os rituais.
Mas nesse dia fui arrastada. Fui arrastada para uma celebração invulgar, muito próxima das pessoas. Daquelas missas que tocam, mesmo as pessoas mais cépticas como eu. Sei que dei por mim numa convulsão de lágrimas e soluços.
As pessoas à minha volta, empunhavam fotografias dos seus familiares (doentes a maioria), e exibiam-nas perante o cálice e a hóstia, erguida pelo Padre. Este passava por entre as pessoas e repousava um ar sereno, o ar sereno de quem tudo viu e ouviu. Havia lágrimas nos rostos, soluços, olhares de esperança.
Eu que estava ali por arrastão, e embrenhada no meu dilúvio emocional, a sentir-me muito pequena, perante tamanha avalanche de emoções. Os meus problemas não são nada, pensei. Nada. E chorei. E as lágrimas caíam porque me sentia privilegiada, envergonhada.
Eu tinha entrado de arrastão.
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